Mulheres que transformam o clima e a vida em Igarapé-Miri

Projeto da SG Consultores Associados reuniu pesquisa, formação e participação social para compreender as realidades das mulheres e fortalecer políticas públicas em Igarapé-Miri.

A SG Consultores Associados concluiu o projeto “Mulheres que Transformam o Clima e a Vida em Igarapé-Miri”, desenvolvido entre julho e setembro de 2026, a partir de uma abordagem participativa e territorial que articulou produção de conhecimento, formação, escuta social, participação das mulheres e construção de subsídios para políticas públicas.

O Projeto partiu do reconhecimento de que os efeitos das mudanças climáticas não são vivenciados da mesma forma por todas as pessoas e territórios. Em Igarapé-Miri, município amazônico marcado pela diversidade de realidades urbanas, rurais, ribeirinhas e quilombolas, compreender essas diferenças foi fundamental para identificar como questões relacionadas a gênero, território, renda, trabalho, cuidado, acesso a serviços e participação social se relacionam com as vulnerabilidades e capacidades das mulheres diante das transformações ambientais e climáticas.

O percurso teve como ponto de partida a elaboração do Diagnóstico sobre as Mulheres de Igarapé-Miri, fundamentado em pesquisa primária realizada com 405 mulheres, complementada por dados secundários e referências relacionadas às diferentes dimensões investigadas. O estudo permitiu conhecer aspectos das condições de vida das mulheres e identificar vulnerabilidades, desigualdades, potencialidades e capacidades existentes nos diferentes territórios do município.

A partir das evidências produzidas pelo Diagnóstico, foram realizadas quatro formações territoriais com mulheres. Mais do que atividades formativas, esses encontros constituíram espaços de devolutiva dos resultados, diálogo e aprofundamento da escuta. As experiências e percepções das participantes contribuíram para ampliar a compreensão dos dados e aproximar as evidências quantitativas das realidades vivenciadas pelas próprias mulheres.

As atividades abordaram temas relacionados à educação, segurança hídrica e alimentar, saúde e saúde mental, trabalho, renda e autonomia econômica, economia do cuidado, meio ambiente e produção, mudanças climáticas, violência contra as mulheres, participação e protagonismo feminino, reconhecendo a interdependência entre essas dimensões na vida cotidiana.

O Projeto também estimulou a articulação e o fortalecimento da participação das mulheres por meio da Rede Amazônia Delas, concebida como uma estratégia de continuidade da mobilização, da circulação de informações e da construção de vínculos entre mulheres e territórios para além do período de execução das atividades.

O percurso culminou com a realização do Seminário Municipal, que reuniu mais de 80 participantes, entre mulheres que integraram a pesquisa e as formações, representantes do Poder Executivo e Legislativo, Defensoria Pública, sindicatos, associações de mulheres, conselhos setoriais, organizações comunitárias e sociedade civil. O encontro marcou a devolutiva pública dos resultados, o lançamento do Diagnóstico e a ampliação do diálogo sobre os desafios, capacidades e propostas identificados ao longo do Projeto.

Como resultado, o Projeto deixa para Igarapé-Miri não apenas uma publicação e um conjunto de indicadores, mas uma base de evidências, conhecimentos territoriais, experiências de participação e propostas que poderão subsidiar o planejamento e o aprimoramento de políticas públicas voltadas às mulheres, ao desenvolvimento sustentável e à adaptação às mudanças climáticas.

Um dos principais aprendizados desse percurso foi reconhecer que as mulheres não devem ser compreendidas apenas a partir das vulnerabilidades que enfrentam. Elas são também produtoras de conhecimento, trabalhadoras, cuidadoras, empreendedoras, lideranças e detentoras de saberes sobre seus territórios, com papel fundamental na construção de respostas locais aos desafios sociais, econômicos e climáticos.

O projeto “Mulheres que Transformam o Clima e a Vida em Igarapé-Miri” reafirma, assim, uma premissa que atravessou todo o trabalho desenvolvido: políticas públicas e estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas precisam ser construídas com as mulheres, e não apenas para as mulheres, reconhecendo seus conhecimentos, suas experiências e seu direito de participar das decisões que afetam suas vidas e seus territórios.